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Há que se dizer algo sobre o começo. Talvez pela ironia daquele velho consenso de que tudo aquilo que existe precisa sempre ter surgido de um certo evento quando defrontado com o mistério do início do próprio universo. Ou talvez ainda pela ocasião em que nos encontramos: as primeiras palavras precisam soar e elas não podem vir de modo brusco. Quer dizer, o silêncio deve ser quebrado sutil e gentilmente, de modo que as vozes que o substituem possam ser captadas pelos sensos humanos sem causar neles qualquer tipo de estranhamento. Elas precisam dar razão a tal quebra. Mais que isso, elas precisam ser, nelas mesmas, a própria razão.
Quando as primeiras notas de uma peça musical soam, elas se apresentam com a harmonia e a suavidade que os nossos sensos naturalmente exigem para expulsarem o ceticismo que todos temos por predisposição. Elas chegam afastando toda a inércia e o fatalismo do silêncio que se fazia antes para dar lugar a algo que é, em um sentido primário, uma perturbação à condição atual; chegam acordando a vida, fazendo essa perturbação parecer não menos do que necessária, de modo que as demais notas possam vir com fluência, deslizando pelas mais várias sintonias, e com a habilidade de fazer sentido mesmo em meio a um pedaço de caos.
A música, para acontecer, precisa fazer sentido aos ouvidos. As palavras, do mesmo modo, dispostas em prosa ou em poesia, dependem disso. No começo, elas devem por bem cativar, pois só assim o texto que elas constroem poderá fazer sentido à consciência que o absorve. É através desse sintagma, essa unidade mínima, que elas fazem seu caminho pelos diversos níveis da intrincada mente humana.
Permita-nos apresentar a você o caminho inverso. Dos mais profundos níveis da nossa mente, extraímos um pedaço de sentido que busca se completar na sua consciência. As primeiras notas já soaram, agora fique atento às demais, que vêm chegando. Elas falam dos começos.
14 de janeiro de 2009
por Elizangela
Filho,
todas as vezes que leio um texto seu, fico me perguntando: onde é ou com quem esse menino aprendeu a escrever assim? Cada texto uma surpresa, neles revela de teus punhos a essência de um escritor que a cada dia se supera e me surpreende. Você tem intimidade com as palavras e um jeito de escrever que um leitor bem atento diria tratar-se de um escritor profissional, ninguém diz que são linhas traçadas por um garoto de 17 anos.
Parabéns! Com certeza você vai longe, sou sua fã número 1, você é meu orgulho.
Beijos.
16 de janeiro de 2009
por Diogo Rafael
Não vou dizer que sou o fã número 1, mas fico ao menos como 2. Você realmente escreve extremamente bem. E o melhor de tudo é o que não há nada de repetitivo em seus textos, ora você é impressionista, ora é modernista e frio. Parabéns e espero que um dia você seja reconhecido por essa incrível habilidade que você tem.