Pediram-me para escrever sobre começos. Detesto começos. Pelo simples fato de, por alguma razão, estarem ligados a um fim. Porém tenho de admitir que, por vezes, esqueço-me de toda essa filosofia barata a qual me apego e aproveito dos começos. Até eles terem um fim. O começo é um breve momento, e só: não há nada de tão especial quanto a eles. A não ser que você tenha um animal apelidado de “começos”, ai então entenderia o apego a tal substantivo. Parar para pensar em “começos” é estupidamente melancólico. É um tema para se refletir no tédio do fim. Entenda: o fim é tão mais fútil a ponto de parar para se pensar no começo. Ao invés de refletir, valer-se. Ao invés de torturá-lo, servir-se. Ao invés de questioná-lo, pravalecer-se. Este é, pois, o começo ideal. Há certas coisas em que tirar o Platão e Aristóteles faz bem, e “começos” é perfeito para se o fazer.
Sem mais reflexões-de-fim-de-tarde por hoje.
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